11 de setembro de 2014

Aprender a olhar


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles



12 de agosto de 2014

Entrevista com o médico e psicoterapeuta João Facchinetti

Entrevista esclarecedora com o médico, psicoterapeuta e professor João Facchinetti sobre a gentil abordagem de hipnoterapia ericksoniana.

Você pode se permitir e reconstruir seus conceitos!



Dr.João Facchinetti.
Médico: Universidade Federal de Alagoas (UFAL);1984; CREMAL 2019. Psicólogo: Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC); 1981; CRP15/2972. Pós-Graduação Mestre em Psicoterapia Ericksoniana –México. Homeopatia – Instituto Hahnemanniano do Brasil. Psicoterapeuta Ericksoniano; Diretor do Instituto Milton Erickson/Maceió; Professor em cursos de Formação em Psicoterapia Breve e Hipnose Ericksoniana em Maceió e Aracaju; Professor do curso de Hipnose Ericksoniana da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Supervisor de Estágio Clínico em Psicoterapia Breve com Hipnose; Coordenador de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas – 2000 a 2002.

Cursos: Breif Therapy – Jeffrey Zeig, PhD – EUA. Healing Trauma – Untangling complexity and conecting to the heart of the ericksonian approach – Robert McNeilly, MBBS – Austrália. Diagnóstico e Tratamento da Depressão – Michael Yapko, Ph.D – EUA. Psicoterapia e Hipnose Ericksoniana – Teresa Robles, Phd – México. Reconectando-se à Magia da Vida – Joyce Mills, Ph.D – EUA. Realidad Virtual, Ciberespacio de Possibilidades – Ana Luco, Ms – Itália. Aprenda a Lidar Positivamente com o Estresse – Teresa Robles, PhD – México. Regressão de Idade na Prática Clínica – Ângela Cota, MS – Brasil.

28 de junho de 2014

Ver além...





"O olho vê, 

a lembrança revê 
e a imaginação transvê.

É preciso transver o mundo."

(Manoel de Barros)

16 de abril de 2014

Conhecer e Ver





Ao se Conhecer e se Ver
Não significa que só flores vão aparecer
Mas é também dos espinhos
Que nasce o grande Vencer.


Fabiany Alves - Arteterapeuta





24 de outubro de 2013

Viver é ser outro


“Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.


Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção – isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.

Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que foi será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão." 



Fernando Pessoa






8 de setembro de 2013

Renova-te


Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado, 
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto. 
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles





20 de agosto de 2013

Hipnoterapia ericksoniana


Ao utilizar o transe hipnótico como ferramentas psicoterapêutica, Milton Erickson compreendeu a importância de respeitar e validar as respostas individuais para esse fenômeno. 

Durante o tratamento psicológico é possível haver um processo educativo, de orientação, recuperação e modificação do que leva determinada pessoa a ter certo comportamento indesejado. É possível auxiliar, proporcionando o ajustamento psicológico de modo a tornar efetiva a superação e solução de conflitos e problemas diversos, tais como ansiedade, depressão, medos, insegurança, angústia, falta de perspectiva, mudanças de humor etc. 

A hipnose é um instrumento importante que pode ser usado no tratamento de inúmeros sintomas em diferentes diagnósticos. O termo hipnose passou a ser utilizado a partir do século XIX, embora os fenômenos hipnóticos sejam tão antigos quanto a existência do homem na Terra. Esses fenômenos são universais e fazem parte da vida cotidiana. Os primeiros registros datam do século XXX a.C., no Egito, através de escritos indicando que sacerdotes induziam a um estado hipnótico.

O significado da palavra hipnose vem do grego hypnos, sono. Mas na verdade não é isso que acontece. A hipnose modifica o padrão de consciência; o indivíduo focaliza sua atenção por meio de uma indução ou de uma auto-indução, concentrando a mente e direcionando seus pensamentos intensificando a atividade cerebral. É um processo diferente, por exemplo, do que ocorre num relaxamento ou de quando estamos dormindo. 

Monoideismo 
Se a hipnose tivesse sido criada a partir do que se conhece hoje de seus fenômenos e efeitos sobre corpo e mente, provavelmente não teria esse nome. James Braid, após ter cunhado esse termo, pensou em mudá-lo para monoideísmo, mas então o termo hipnose já estava em uso. 

Com o decorrer do tempo o recurso passou a ser utilizado em diferentes situações na tentativa de encontrar a cura dos sintomas e sua compreensão. A mente humana e seus efeitos sobre o corpo são ainda hoje poucos conhecidos e parecem, muitas vezes, algo misterioso, sem explicação. A hipnose e seus efeitos sobre a mente humana ganham cada vez mais espaço em pesquisas e estudos que vêm comprovando sua eficiência no tratamento terapêutico. 

Uma pessoa hipnotizada pode entrar em um transe leve, médio ou profundo. Essa variação pode ser pessoal e até mesmo momentânea. Durante um transe leve é possível perceber sinais como: catalepsia, diminuição dos movimentos, respiração e pulso lentos e, às vezes, sinais ideomotores. Num transe médio a catalepsia é mais acentuada, os músculos da face ficam soltos, o movimento de deglutição fica diminuído, há sinais ideomotores, movimentos oculares e respiração lenta. O transe profundo é parecido com o estágio anterior ao sono, podendo ocorrer movimentos rápidos dos olhos (sono REM, segundo a sigla em inglês), é possível abrir os olhos de forma acordada diferente , mas estes ficam vidrados e fixos, ou permanecem num olhar vago, pode-se falar e andar, numa atividade semelhante ao sonambulismo. 

No veneno está o antídoto 
Milton Erickson (1901 1980), psiquiatra norte-americano, estudou e desenvolveu a comunicação para melhor atender seus pacientes utilizando a hipnose como ferramenta básica de trabalho. Logo cedo ele percebeu que cada indivíduo respondia diferentemente às técnicas e aos estímulos apresentados, e por isso passou a utilizar a hipnose de forma única; adaptada à realidade individual apresentada pelo paciente. Milton Erickson direcionava a atenção de seu cliente para aspectos de interesse e utilizava a linguagem pessoal (a forma como cada pessoa se comunica com ela mesma) a seu favor. 

A hipnose é uma forma de comunicação que pode provocar mudanças no pensamento, no sentimento e no comportamento. Embora as pessoas procurassem Milton Erickson com dificuldades, problemas e doenças aparentemente iguais aos manifestados por tantas outras, os motivos da queixa eram diferentes para cada paciente. E, na medida que se respeitava essa individualidade, sem seguir regras gerais e padrões pré-estabelecidos acerca do comportamento humano, os pacientes melhoravam de forma mais rápida e eficaz. Milton Erickson, conduzia seus pacientes a um novo estado, proporcionando a esperada remissão dos sintomas. Ele utilizava aquilo que o próprio paciente trazia como ferramenta para a cura e o encontro de novas saídas. Muitas vezes, o antídoto era feito com o próprio veneno ou ele entendia que o problema em si fazia parte da solução . Milton Erickson contava histórias, usava metáforas, propunha tarefas e sugeria atividades como forma de intervenção. 

As experiências vividas se tornam aprendizagens e durante o transe hipnótico é possível desenvolver novas aprendizagens, reformular o pensamento, aprender outros hábitos, descobrir qualidades insuspeitas. As experiências vividas não podem ser modificadas, mas é possível criar uma nova moldura, re-enquadrando e transformando a percepção do viver e conseqüentemente adquirindo outros comportamentos e atitudes perante a vida. 

Pode-se dizer que fazer psicoterapia consiste em refletir sobre a própria realidade para que se possa adquirir e/ou desenvolver o reconhecimento da responsabilidade sobre si mesmo. Esse aprendizado possibilita a reconstrução contínua das experiências vividas ou imaginárias, pois é através dos recursos internos que a pessoa poderá compreender, solucionar e adaptar-se diante de antigas e novas experiências.




Adriana M. A. de Araújo é psicóloga clínica e hipnoterapeuta ericksoniana.

Fonte: http://www.desenvolvimentoexcelencia.com.br/artigos.php?codigo=96

16 de agosto de 2013

Você pode escolher e desfrutar


Um dia desses ouvi falar que meditar é você ser testemunha dos seus pensamentos, observá-los em sua mente sem julgá-los. Como em um tribunal em que existe o juiz, o advogado, a testemunha, o réu... A testemunha acompanha os acontecimentos e sabe que não precisa se envolver com nenhuma parte, apenas observar sem se contaminar com uma realidade possível, apenas testemunha o que presenciou. Quando a mente está bombardeada de ideias que parecem não cessar, ser testemunha proporcionará um oásis para o descanso mental, permitindo experimentar conforto e serenidade que tornam-se habituais à medida que as práticas passam a ser mais frequentes. 

Estendendo o assunto para outros horizontes (mas os mesmo ares), fiquei a pensar, e em quantos momentos se faz necessária a troca de papéis em relação aos nossos pensamentos e condutas?

Respeitar aquela fase que é importante tomar posição e bater o martelo para ordenar o que deve permanecer e o que deve ir embora, e então, efetivar decisões importantes para o seguimento de sua vida, ou ainda, advogar e assegurar seus interesses em prol do seu bem maior: seu bem-estar, controlando o que pode ser controlado em benefício de seu melhor cliente: você! Em outras ocasiões em que reconhecer e assumir atitudes e comportamentos prejudiciais pode transformar a condição de réu para a liberdade de praticar atos renovados. E por que não, respeitar as fases em que sente o mundo contra você e ao seu jeito de ser, de agir, de sentir e ter a oportunidade de oferecer à vida os seus contra-argumentos e defendê-los com a sua verdade, com o potencial que existe em você e sua capacidade de regenerar e reconstruir as situações da vida.

Lembrando que na meditação, você pode meditar de variadas formas, somente precisa escolher a melhor forma para o seu momento, existe a meditação focada nos movimentos da respiração, há a meditação imersa em uma atividade em que o foco é apenas acompanhar de forma presente o que se está fazendo, entre outras, você escolhe qual posição quer assumir e desfrutar dos resultados em sua vida.





Bianca Galindo

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