24 de outubro de 2012

Há algo que você sabe mas não sabe que sabe...ressignificando


   Assistindo a um programa de televisão, escuto o relato de uma moça à apresentadora dizendo ter medo extremo de elevador, a ponto de subir 27 andares a pé para visitar uma amiga em um prédio. Ela afirmou ter recorrido a um psiquiatra e a terapias com psicólogos de várias abordagens, os quais ela relatou não terem resolvido o seu problema  e por fim disse que já estava quase recorrendo a hipnose. Ao ouvir isso fiquei bastante intrigada, seria a hipnose o último recurso a ser buscado para auxiliar na solução de alguma questão? Seria algo ruim ou perigoso? E a pessoa a qual busca essa ferramenta de terapia não teria a mínima necessidade de tomar iniciativa e participar do processo de tratamento e solução de sua questão, como numa espécie de mágica? 

  Vamos nos informar sobre a hipnose terapêutica, para assim então podermos ter uma opinião consistente sobre ela e passar informações coerentes mundo à fora.




Há algo que você sabe mas não sabe que sabe. E logo que você descobrir o que é que você mas não sabe que sabe terás um sono tranquilo. 
(Milton H. Erickson)


  O histórico da hipnose mostra que ela aconteceu de várias formas ao longo do tempo. A sua exibição em palcos ou programas grotescos de televisão é a forma mais conhecida em que as pessoas tiveram contato com a hipnose, o que infelizmente tornou-a imersa em mitos e fantasias.

  Os estados de transe hipnótico são estados correlatos porém, o acesso até eles pode se dar de maneiras diferentes. É sobre essa maneira diferente a qual quero falar e esclarecer. A hipnose usualmente conhecida é a hipnose clássica, a qual o hipnoterapeuta afirma ter controle sobre o cliente e este é apenas passivo durante o tratamento, não participando do direcionamento do processo e apenas volta à consciência pela vontade do terapeuta. Hoje você vai conhecer a hipnose ericksoniana, desenvolvida pelo Dr. Milton Erickson, considerado pai da hipnose moderna. Vamos ressignificar este instrumento tão valioso e enriquecedor que pode ajudá-lo a se ajudar quando você quiser.

  A hipnose é um estado ampliado de consciência, onde a atenção e a percepção do indivíduo fica focalizada e voltada para o seu interior. Segundo Teresa Robles em Concerto para Quatro Cérebros, nosso cérebro automaticamente entra em transe a cada 60 a 90 minutos como uma forma de descanso e elaboração de suas atividades, aquele momento em que seu pensamento parece estar distante, por exemplo: quando você está dirigindo e se prende em seus pensamentos e sequer faz ideia de como conseguiu chegar no lugar que você queria sem depositar a sua atenção no trânsito. Isso significa que todos nós já experimentamos a hipnose e não foi nenhum bicho de sete cabeças. Ela é mais natural do que podemos imaginar.

  A hipnose passou por várias transformações e fazendo parte do contexto da hipnose moderna, temos a hipnose ericksoniana. Tenho carinho imenso por esta por ser um instrumento terapêutico que respeita as singularidades e jeito de ser do paciente/cliente. A hipnose ericksoniana faz parte da abordagem terapêutica criada pelo Milton Erickson, portanto ela é apenas um dos vários recursos utilizados para a melhoria da qualidade de vida do paciente. É uma forma de se estabelecer um processo de comunicação e interação do terapeuta com o paciente/cliente, onde cada um tem os seus papéis e o paciente participa ativamente e influi no direcionamento do processo terapêutico. Infelizmente,  alguns mitos ainda rodeiam o universo da hipnose sendo importante conhecê-los para abandonarmos informações que não têm sustentação alguma.

  O hipnoterapeuta tem poder sobre o paciente: como comuniquei anteriormente, a hipnose ericksoniana não ocorre essencialmente pela ação e poder do hipnoterapeuta, mas pela interação e aceitação da pessoa que entra em transe e deseja experimentar o que o hipnoterapeuta oferece (com base no que foi coletado durante as sessões e utilizando os próprios recursos do paciente) portanto, o paciente apenas se envolve se esta for a vontade dele;

 O hipnoterapeuta controla o desejo e a mente do paciente: esse é um dado muito propagado pelas pessoas, a hipnose acessa a mente inconsciente, o paciente pode ou não aceitar o que for dito pelo hipnoterapeuta, já que a mente inconsciente protege o ser humano daquilo que ele não deseja;

 A pessoa fica inconsciente durante o transe: em todo o momento a pessoa permanece acordada e por nenhum momento perde a consciência, do ponto de vista físico ela tem um relaxamento muscular, respiração suave e dessa forma a pessoa encontra-se relaxada, mas alerta. Dessa forma, a pessoa estará totalmente presente;

  Algumas pessoas dizem ter medo da hipnose por achar que ela pode prejudicar a saúde: a hipnose é um estado que permite um contato interior consigo mesmo, por si só isso já é benéfico. Entretanto, a hipnose deve ser utilizada por profissionais habilitados, pois em mãos inapropriadas pode causar algum mal, como já disse Teresa Robles: "Aprender a induzir um transe é igual a aprender a aplicar uma injeção. Qualquer um capaz de fazê-lo, mas para saber o que está se aplicando é necessário o conhecimento médico. E pode-se matar ou adoecer alguém com uma injeção".

  Por fim, compreende-se que a hipnose é um procedimento terapêutico extremamente sério e útil no tratamento das diversas patologias e não realiza milagres, como numa espécie de mágica. É uma ferramenta da psicologia autorizada e regulamentada pelo CRP na sua Resolução N° 013/00 de 20 de dezembro de 2000. Portanto, é preciso estar habilitado para usá-la.



Bianca Galindo

3 comentários:

  1. Ótimo texto, Bianca! Você escreve de forma bastante leve, de modo que um assunto sério, com detalhes técnicos até, soa como uma conversa entre amigos durante um chá da tarde... :)

    Abraço

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  2. Obrigada Camila, fico muito contente que tenha gostado!
    A leitura pode ser regada com um chá de camomila ou melissa...

    =)

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