17 de abril de 2013

Arte da Vida




Linhas que se dobram e desdobram
Energia em movimento
Persistência e delicadeza até vencer os obstáculos
e enfim conquistar a transitória arte.
De um papel ao infinito de possibilidades 
O toque preciso libera a ação seguinte.
Arte delicada - descartável e duradoura.
Pode durar uma vida, um segundo ou transformar-se 
novamente em outro papel, em outra forma...
O ciclo não precisa parar.
Linhas transformam-se em objetivos.
A cada dobradura uma descoberta
A cada movimento uma resposta
Um final, um meio
Uma possibilidade
Formando nova vida!


Bianca Galindo

16 de abril de 2013

Sadia mente




Para uma planta crescer saudavelmente e se manter bonita, vistosa, produzindo bons frutos é porque teve um bom cuidador, atento a adubar a terra,  a regar com a quantidade necessária de água, capinar o mato ao redor quando preciso, afofar a terra para facilitar a drenagem da água  no solo, colocar alguma proteção para afastar alguns insetos e pragas...e de vez em quando dar uma olhadinha e se perguntar: Essa plantinha está precisando de alguma coisa? Está crescendo bonita,  com folhas fortes, dando frutos sadios? Se sim, ótimo! É só seguir desfrutando a colheita. Se talvez, vamos avaliar o que está acontecendo, se estamos respeitando as etapas, colocando itens importantes pra ela, se estamos conversando com ela...sim, claro, elas entendem, ou melhor, sentem quando e como conversa com ela. Ah! E encher ela de muito amor, muito carinho e dedicação. Afinal qual ser não responde bem a tamanha entrega cuidosa... ;)


Bianca Galindo

14 de abril de 2013

Saindo do piloto automático


Um homem veio a mim. Ele sofria do vício de fumar há trinta anos; ele estava doente e os médicos disseram: "Você nunca ficará bom se não parar de fumar." Ele era um fumante crônico e não consegui parar. Mas ele tentou, tentou arduamente e sofreu muito tentando. Conseguiu por um ou dois dias, mas então a necessidade de fumar vinha tão forte que simplesmente o vencia. Novamente ele caía no mesmo esquema. Por causa disso, ele perdeu toda a autoconfiança; sabia que não podia fazer nem essa pequena coisa: parar de fumar. Ele se desvalorizou diante de si mesmo; considerava-se a pessoa mais sem valor do mundo. Não tinha mais respeito por si mesmo. E assim, ele veio a mim. Ele disse: "O que posso fazer? Como posso parar de fumar?" Eu lhe disse: "Você tem que entender. Agora, fumar não é apenas uma questão de decisão. É algo que já entrou no seu mundo de hábitos; já se enraizou. Trinta anos é um longo tempo. Esse hábito tem raízes no seu corpo, na sua química, espalhou-se em você. Não é mais apenas uma questão de decidir com a cabeça; sua cabeça não pode fazer nada. Ela é impotente; pode começar coisas, mas não pode pará-las facilmente. Uma vez que você começou e praticou por tanto tempo, você é um grande iogue - trinta anos de prática em fumar! Já se tornou automático; você tem que desautomatizar isso." Ele perguntou: "O que você quer dizer por desautomatizar?" É nisto que consiste toda a meditação: na desautomatização. Eu lhe disse: "Faça uma coisa: esqueça tudo sobre parar de fumar. Não há necessidade. Por trinta anos você fumou e viveu; é claro que foi um sofrimento, mas você se acostumou a ele também. E o que importa se você morrer algumas horas antes do que morreria sem fumar? O que você vai fazer aqui? O que você fez? Então, qual a importância em morrer na segunda, na terça ou no domingo, neste ou naquele ano - que importa?" Ele disse: "Sim, isso é verdade; não importa". Então eu disse: "Esqueça tudo sobre parar de fumar; não vamos parar absolutamente. Ou melhor, vamos compreender isso. Assim, da próxima vez, faça do fumar uma meditação". Ele disse: "Do fumar uma meditação?" Eu disse: "Sim. Se as pessoas zen podem fazer do beber chá uma meditação, uma cerimônia, por que não com o cigarro? Fumar também pode ser uma bela meditação". Ele ficou impressionado e disse: "O que você está dizendo? Meditação? Conte-me - nem posso esperar!" Então dei a meditação para ele: "Faça uma coisa. Quando pegar o maço de cigarros do seu bolso, pegue-o bem lentamente. Curta, não há pressa. Fique consciente, alerta, atento; pegue lentamente com atenção total. Então, tire um cigarro do maço com toda a atenção, lentamente, não da velha maneira apressada, inconsciente, mecânica. Depois, comece a bater o cigarro no maço, atentamente. Escute o som, como fazem as pessoas zen quando o samovar começa a cantar e o chá começa a ferver... e o aroma... Então cheire o cigarro e sinta sua beleza..." O homem disse: "O que você está dizendo? A beleza?" "Sim, ele é belo. O tabaco é tão divino quanto qualquer outra coisa. Cheire-o; é o cheiro de Deus". O homem ficou um pouco surpreso: "O quê? Você está brincando?" "Não, não estou brincando. Mesmo quando brinco, não brinco. Sou muito sério." Então, ponha o cigarro na boca, com toda a atenção, e acenda-o. Curta cada ato, cada pequeno ato, e divida-o em muitos pequenos atos para que você possa tornar-se o mais alerta possível. Dê a primeira tragada: Deus em forma de fumaça. Os hindus dizem, "Annam Brahm" - "Comida é Deus". Por que não a fumaça? Tudo é Deus. Encha profundamente seus pulmões - isto é pranayam. Estou lhe dando uma nova ioga para um novo tempo! Depois, solte a fumaça, relaxe; dê outra tragada - e faça tudo bem devagar... Se você puder fazer isso, ficará surpreso; logo verá toda a estupidez disso. Não porque os outros estão lhe dizendo que é estúpido, que é ruim. Você o verá; e não apenas intelectualmente, mas a partir de seu ser total; será uma visão da sua totalidade. E então, um dia, se o vício desaparecer, desapareceu; se continuar, continuou. Você não tem que se preocupar com isso." Depois de três meses, o homem voltou e disse: "Ele desapareceu!" "Agora, eu disse, tente isso com outras coisas também". Este é o segredo, o segredo: desautomatizar. Andando, ande devagar, atentamente. Olhando, olhe cuidadosamente e você verá que as árvores estão mais verdes do que nunca e as rosas estão mais rosas do que nunca. Escute! Alguém está falando, sussurrando: ouça atentamente. Quando você falar, fale atentamente. Deixe que toda a sua atividade de despertar torne-se desautomatizada. 


Osho



10 de abril de 2013

Re estabelecendo o andar


  Um cliente estava comentando como vinha se sentindo tomando uma medicação psicotrópica receitada pelo seu médico psiquiatra e que estava pensando em suspender a psicoterapia, afinal fazer o movimento de apenas tomar um comprimido à noite estava lhe proporcionando menos esforço e achava que dessa forma já estaria melhor para continuar sua vida e todas as situações que envolve vivê-la. O que ele parecia não se dar conta é que a medicação não é  uma solução mágica que dissolve todos os seus problemas e/ou a forma de lidar com eles.

   Convidei-o então, para observar uma sala de fisioterapia que existe bem em frente ao consultório que atendo, lá entrava uma pessoa se apoiando com um par de muletas, ela estava com um pouco de dor e naquele momento era difícil conseguir pisar o pé no chão. Naquele fase estava sendo extremamente necessário e útil ir até fisioterapia fazer o tratamento adequado para se reabilitar, cuidando do que é preciso ser cuidado para colocar o pé fortalecido no chão novamente. Mas enquanto ela apresentava esse quadro no pé, ela ainda tinha o seu dia-a-dia pra ser vivido, tarefas a serem executadas, ideias para colocar em prática e até mesmo chegar a clínica de fisioterapia continuar seu tratamento. Nesse tempo, o uso das muletas foi de extrema importância, sem elas, nesse caso específico talvez o tratamento fosse até inviabilizado, o que poderia tornar esse processo  mais complexo. 

     À medida que se tratava com a fisioterapia e trabalhava os aspectos importantes relacionados com a recuperação daquele pé, se sentia muita mais confortável e segura para ir abandonando as muletas que já não encontravam mais função ali.

    E agora eu fico me perguntando como seria se esse cliente resolvesse apenar usar as muletas e dispensar o tratamento fisioterapêutico sem ainda poder andar com seus próprios pés...






Bianca Galindo

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